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*Por Matheus Laiola
Com a intensificação do calor, a atenção dedicada aos animais de estimação deve ser redobrada. Cães e gatos, assim como os humanos, sofrem severamente com as altas temperaturas. A insolação e a desidratação configuram-se como emergências veterinárias graves, que podem ser rapidamente fatais e, sob a ótica legal, caracterizam-se como maus-tratos por omissão.
É fundamental que a sociedade e os tutores estejam plenamente conscientes desses riscos. A insolação é uma emergência perigosa e ocorre quando a temperatura corporal do animal se eleva drasticamente, superando a capacidade do organismo de se resfriar. Diferentemente dos humanos, os pets controlam a temperatura primariamente pela respiração ofegante e, em menor grau, pela transpiração nas patinhas. O risco de insolação é significativamente maior para raças braquicefálicas (focinho achatado), animais idosos, animais obesos e pets com condições cardíacas ou respiratórias preexistentes.
Os sinais de alerta urgente incluem respiração muito acelerada e ofegante (hiperpneia), salivação espessa e excessiva, língua e gengivas com cor vermelho-viva ou azulada (cianose), vômito ou diarreia e, em casos graves, tremores, desorientação ou convulsões. Se notar esses sinais, aja imediatamente, molhe o animal com água fresca (nunca gelada) na cabeça, pescoço e barriga. A água gelada pode causar choque térmico e vasoconstrição, dificultando a perda de calor. Após a estabilização inicial, leve o animal ao veterinário imediatamente.
A desidratação, por sua vez, é a perda excessiva de líquidos e eletrólitos, que precede e agrava o quadro de insolação, podendo levar a um colapso orgânico. A negligência contínua em fornecer água fresca e abrigo adequado é uma das principais causas desse colapso.
Os tutores devem adotar práticas de forma rigorosa como hidratação constante, horários de passeio restritos, nunca entre 10h e 17h, devido ao risco de queimaduras nas patas e superaquecimento, abrigo adequado, mantendo comedouros e bebedouros em áreas de sombra densa e bem ventiladas; e, o mais importante, jamais deixe um animal sozinho dentro de um veículo, mesmo que por um período curtíssimo, pois a temperatura interna sobe de forma assustadora, transformando-se em uma armadilha fatal.
A negligência em condições de calor extremo não pode ser classificada como um “acidente”, mas sim como uma falha grave de responsabilidade. Se você testemunhar um animal em situação de risco ou negligência devido ao calor, denuncie às autoridades competentes. A vigilância e a ação imediata da comunidade são essenciais para a proteção da causa animal.
Para sugestões de temas, entre em contato via WhatsApp: (41) 9529-1305. Sua contribuição é muito bem-vinda.
Até a próxima semana.
*Matheus Laiola, Deputado Federal e Delegado de Polícia Civil do Paraná
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