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Por Matheus Laiola
Viver em apartamento é a realidade de milhões de brasileiros, e nossos animais de estimação fazem parte desse dia a dia. No entanto, o ambiente fechado e, muitas vezes, limitado, impõe desafios reais ao bem-estar dos pets. E a ideia é falar como evitar que o confinamento se transforme em estresse ou, em casos extremos, leve ao abandono (maus-tratos) por falta de adaptação.
Garantir uma vida plena em espaços menores exige mais do que apenas carinho; exige responsabilidade e o que chamamos de “enriquecimento ambiental”. Um animal entediado é um animal que sofre, e o sofrimento psicológico é uma forma silenciosa de maus-tratos.
Cães e gatos têm instintos naturais que não desaparecem só porque vivem no décimo andar, por exemplo. Para os gatos, a verticalização é essencial. Prateleiras, nichos e arranhadores altos permitem que eles exerçam o hábito de observar o território de cima, reduzindo drasticamente a ansiedade.
Para os cães, o desafio é o gasto de energia mental e física. Brinquedos recheados com comida, tapetes de lambedura e desafios que estimulem o faro são excelentes para manter a mente ocupada. Um cão que gasta energia dentro de casa têm menos chances de desenvolver comportamentos destrutivos, que são, infelizmente, uma das maiores desculpas usadas por tutores negligentes para o abandono.
A falta de previsibilidade gera estresse. Por isso, estabelecer horários fixos para alimentação, brincadeiras e, principalmente, passeios, é fundamental. O passeio para quem mora em apartamento não é apenas para as necessidades fisiológicas; é o momento de socialização, de sentir novos cheiros e de interagir com o mundo externo.
Mesmo que o animal tenha acesso a tapetes higiênicos ou áreas específicas, o contato com o ambiente externo é vital para a saúde mental. Um pet que nunca sai de casa torna-se inseguro e medroso, o que pode evoluir para agressividade.
Não podemos falar de bem-estar em apartamentos sem citar a segurança física. Telas de proteção em todas as janelas e varandas são itens inegociáveis. Acidentes domésticos, como quedas de grandes alturas, são traumas evitáveis que causam dor intensa e mortes precoces. Zelar pela segurança do ambiente é o primeiro passo da guarda responsável.
Adotar um animal para viver em apartamento requer a consciência de que você será o canal dele com o mundo. O estresse por isolamento pode levar a latidos excessivos e destruição de objetos, mas a solução nunca deve ser o descarte do animal (como se fosse um mero objeto).
Educar, adaptar o ambiente e dedicar tempo são as chaves para uma convivência harmoniosa. Você já adaptou algum cantinho do seu apartamento pensando especificamente na diversão do seu pet?
Para sugestões de temas ou apoio a esta causa, entre em contato via WhatsApp: (41) 9529-1305.
Até a próxima semana.
*Matheus Laiola, Deputado Federal e Delegado de Polícia Civil do Paraná
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