Delegado Matheus Laiola

Identificação é proteção: por que o microchip evita o abandono

Por Matheus Laiola*

A proteção animal moderna vai muito além do resgate físico; ela exige tecnologia e rastreabilidade para que possamos responsabilizar quem comete crimes contra seres indefesos. Um dos pilares fundamentais dessa estratégia é a microchipagem, uma ferramenta que muitas vezes é vista apenas como um acessório, mas que na verdade é o “RG” definitivo que salva vidas e combate o abandono de forma direta. 

Entendo que a identificação eletrônica é a ponte necessária entre a impunidade e a justiça. Quando um animal é encontrado vagando pelas ruas ou em situação de negligência e possui um microchip devidamente cadastrado, conseguimos chegar ao seu tutor. Isso permite distinguir com clareza o animal que se perdeu acidentalmente daquele que foi descartado de forma covarde pelo seu próprio dono, permitindo a aplicação da lei para quem pratica o crime.

O microchip é um dispositivo minúsculo, do tamanho de um grão de arroz, aplicado de forma indolor sob a pele do pet. Ele armazena um código numérico exclusivo que, ao ser lido por um scanner em clínicas veterinárias ou órgãos públicos, revela todo o histórico do animal e os dados de contato do responsável. 

Hoje existe um programa chamado SinPatinhas do Governo Federal, para que a identificação funcione em todo o território nacional. Sem essa ferramenta, o agressor que deixa um cão amarrado em um poste ou o joga de um carro em movimento sente-se seguro sob o manto do anonimato. 

Além de ser uma medida pedagógica que força o tutor a entender que a guarda de um animal é um compromisso jurídico e moral para toda a vida, também serve para punir o infrator, a identificação é o maior aliado no reencontro de animais perdidos. 

Milhares de famílias sofrem diariamente com o sumiço de seus pets, e as chances de retorno sem um chip de identificação são reduzidas. Muitas vezes, um animal que fugiu acaba parando em abrigos superlotados, sendo confundido com um animal de rua, o que sobrecarrega o sistema público e as ONGs. 

Vale lembrar também que no programa Castra+Paraná2, fazemos questão de incluir a microchipagem gratuita em todos os procedimentos, pois entendemos que castrar e identificar são as duas faces da mesma moeda no controle populacional e na prevenção de maus-tratos. Um animal identificado é um animal protegido pelo Estado e pela sociedade, pois ele deixa de ser um “invisível” para se tornar um indivíduo com direitos reconhecidos.

Para sugestões de temas ou apoio a esta causa, entre em contato via WhatsApp: (41) 9529-1305.

Até a próxima semana.

*Matheus Laiola, Deputado Federal e Delegado de Polícia Civil do Paraná

 

 

 

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