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Por Matheus Laiola
Proteger um animal vai muito além de oferecer alimento e abrigo. Um dos maiores vilões silenciosos da causa animal, e que poucos tutores percebem a tempo, é a falta de socialização. Muitas vezes, aquele cão que late excessivamente ou o gato que se esconde de qualquer visita não possui um “gênio ruim”. O que ele sente é medo. Quando um animal não aprende a conviver com o mundo desde cedo, ele se torna inseguro e reativo. É exatamente nesse ponto que o problema se agrava e o ciclo do abandono começa a ganhar força.
Socializar significa apresentar o mundo ao pet de forma gradual e positiva. O ideal é que esse processo ocorra enquanto eles ainda são filhotes, permitindo que conheçam novos cheiros, barulhos e pessoas. Eles precisam entender que o som de um aspirador de pó ou o movimento dos carros na rua não são ameaças à sua integridade.
Quando essa etapa é negligenciada, o animal cresce em estado de alerta constante. O medo, sem o devido suporte, transforma-se em agressividade ou comportamentos destrutivos, como morder objetos, roer móveis ou latir sem interrupção.
Infelizmente, é nesse momento de crise que muitos tutores perdem a paciência. Sem compreender que o animal está em sofrimento psicológico, a pessoa decide se “livrar” do problema. O abandono, muitas vezes, começa silenciosamente dentro de casa, com o isolamento do bicho, e termina de forma trágica nas ruas ou em abrigos já superlotados.
Um animal que não passou pelo processo de socialização enfrenta barreiras muito maiores para ser adotado. Ele carrega traumas que exigem tempo, paciência e, muitas vezes, recursos que os novos tutores não possuem. Por isso, educar o seu pet é, acima de tudo, um ato de amor e uma estratégia de prevenção. Deixar um animal sofrer com medo extremo por falta de cuidado também configura uma forma de maus-tratos.
Luto incansavelmente por leis que punam severamente quem pratica maus-tratos. No entanto, acredito que a educação é a única chave capaz de virar esse jogo. Precisamos de políticas públicas sólidas que ensinem e promovam a guarda responsável.
Um pet bem socializado é um animal confiante e equilibrado. Ele convive harmoniosamente em família e não se torna mais uma estatística no sistema de abandono. Se você tem um animal em casa, dedique tempo ao treinamento e ao bem-estar dele. Caso note que ele é excessivamente medroso, procure a ajuda de profissionais especializados. Prevenir comportamentos difíceis hoje é a única garantia de que esse animal nunca será descartado amanhã. Proteger é, essencialmente, educar.
Para sugestões de temas ou apoio a esta causa, entre em contato via WhatsApp: (41) 9529-1305.
Até a próxima semana.
*Matheus Laiola, Deputado Federal e Delegado de Polícia Civil do Paraná
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