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*Por Matheus Laiola
O final do ano é marcado por festividades, mas o uso de fogos de artifício com barulho transforma a celebração em pânico e trauma para milhões de cães e gatos. Como delegado e atuante na defesa da causa animal, sou categórico: a soltura de artefatos com estampido (barulho) perto de animais pode ser considerado maus-tratos.
O que para o ser humano é um barulho passageiro, para os pets, que possuem uma audição até quatro vezes mais sensível que a nossa, é uma agressão sonora insuportável. O som alto e inesperado dos fogos desencadeia um terror físico e psicológico que não pode ser ignorado.
A saúde e a segurança do animal são severamente comprometidas pelo uso de artefatos ruidosos. O pânico provocado pelos fogos pode levar a consequências graves e, em casos extremos, fatais como:
Trauma físico: a intensidade do som pode causar dor, zumbido e até rompimento do tímpano do animal.
Acidentes e fugas: em estado de pânico, o pet perde a noção de espaço e direção. Ele tenta fugir desesperadamente, resultando em atropelamentos, quedas de sacadas e ferimentos graves. Essa é uma das principais causas de fuga no final do ano, quando o animal sai de casa correndo e não volta mais.
Convulsões e morte: animais idosos, cardiopatas ou com epilepsia podem sofrer convulsões, paradas cardíacas ou choque que levam à morte.
Estresse crônico: mesmo que o pet não morra, o estresse prolongado afeta seu sistema imunológico e seu bem-estar geral.
A soltura de fogos com barulho não é apenas uma questão de empatia; é uma questão de cumprimento da lei. Em Curitiba, a legislação municipal avançou para proteger a vida e o bem-estar animal.
A Lei Municipal nº 15.585/2019 proíbe a queima, soltura e manuseio de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos de alto impacto ou com efeitos de tiro em toda a cidade. A proibição se estende a locais públicos e privados, fechados ou abertos. O descumprimento desta norma acarreta multas pesadas, que podem chegar a R$ 100 mil, conforme a legislação.
A celebração deve ser inclusiva e respeitosa. Escolha celebrar com fogos de artifício silenciosos e jamais deixe seu pet desprotegido durante a queima. A segurança e o bem-estar animal são uma prioridade inegociável e um dever legal.
Para sugestões de temas, entre em contato via WhatsApp: (41) 9529-1305. Sua contribuição é muito bem-vinda.
Até a próxima semana.
*Matheus Laiola, Deputado Federal e Delegado de Polícia Civil do Paraná
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