- 3 minutos de leitura
*Por Matheus Laiola
O final do ano, para a maioria, é sinônimo de festa, descanso e viagens. Mas para quem está na linha de frente da causa animal, este é o período mais desafiador e, ironicamente, o mais cruel. Enquanto as famílias se reúnem, os abrigos e ONGs enfrentam um aumento crítico e previsível no número de animais resgatados, vítimas do abandono irresponsável de tutores que partem sem planejar.
Neste cenário de emergência, o voluntariado surge com uma força que vai muito além de um simples “gesto de boa ação”. Ele é, na prática, a nossa política pública de emergência mais eficaz. Minha experiência na segurança pública e na defesa animal me ensinou uma verdade inegável: o crime não tira férias, e o sofrimento dos animais resgatados também não para nas festas de fim de ano. É por isso que o papel do voluntário é absolutamente insubstituível.
Muitos ainda pensam que ser voluntário se resume a dar comida. A realidade é que a atuação do voluntário é um ato de responsabilidade social profunda que reflete o nível de civilidade de uma comunidade. O voluntário que dedica seu tempo para passear, alimentar e socializar os animais, está fazendo um trabalho de reabilitação essencial. Ele prepara o pet para a adoção responsável, mostrando que o animal é dócil e saudável. A adoção é, afinal, o destino final e a vitória em nossa luta contra o abandono. Além disso, o apoio no transporte de animais feridos ou abandonados preenche uma lacuna crítica onde o poder público, muitas vezes, não consegue chegar com a rapidez necessária.
Os abrigos e ONGs operam em um regime de dedicação exclusiva, sustentados pela paixão de seus fundadores e, principalmente, por doações. O apoio voluntário, seja em tempo ou em recursos, é o que impede que essas instituições entrem em colapso. Se você tem tempo, ofereça-o. Se a sua rotina não permite dedicar horas, sua contribuição material é igualmente vital: doações de ração, medicamentos, materiais de limpeza ou até mesmo jornais.
No campo legislativo, avançamos com a Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), que endurece a pena para crimes de maus-tratos contra cães e gatos. Essa lei é a nossa ferramenta de punição e um claro sinal de que a sociedade não tolera mais a crueldade. A lei pune, mas a solidariedade salva e transforma.
Que neste fim de ano, o espírito de solidariedade não seja apenas um sentimento passageiro, mas sim uma ação concreta e contínua que garanta o bem-estar animal. Não abandone a causa.
Para sugestões de temas, entre em contato via WhatsApp: (41) 9529-1305. Sua contribuição é muito bem-vinda.
Até a próxima semana.
*Matheus Laiola, Deputado Federal e Delegado de Polícia Civil do Paraná
Compartilhe:
